Sentado numa pedra grande e negra mas brilhante e viva, de frente para o mar, via o sol se por o velho que um dia parou depois de tanto ter vivido, de muito ter corrido atrás de algo que no fim ele percebeu que nem ele sabia para onde corria, se gabava de ter aprendido sobre tudo da vida. Via as nuvens, os pássaros e seus cantares, sentia o vento e o cheiro que ele trazia do mar. Cantava o amor de uma vida inteira e contemplava e agradecia a natureza eterna e perfeita. Se sentia feliz por saber amar tudo aquilo, se sentia feliz por ter parado ali e percebido quão belo era tudo que era perfeito. "O perfeito é mesmo lindo", clamava em alta voz com um grande sorriso contra o vento e para o mar que respondia com seus grunidos na orla da praia.
Enquanto o sol se punha o velho como do nada começou a pensar sobre o sol, imponente e soberano morria no fim do mar e dava adeus a mais um dia que morria junto com ele. "Se sol é tão perfeito, então por que ele morre todos os dias?" indagou o senhor. E esperava alguma resposta, afinal era tão sabido, tinha tanta experiência, tanta vida e aquela pergunta parecia tão simples. E pensava e repensava, mas quanto mais pensava mais dúvida lhe cercava e todas as dúvidas não se respondiam e acumulavam.
E percebeu que tudo era ilusão, nada além do que tinha feito em toda a sua longa vida não era mais do que nada... "Tudo que é perfeito morre como o sol, como as nuvens, como as ondas do mar," em sua mente respondia as suas dúvidas. Mas era vã a resposta, pois não lhe satisfazia.
De repente o vento soprou mais forte, mais ligeiro secava as lágrimas que ele nem percebia em seu rosto... cantava em seus ouvidos a magnificência da vida... dizendo: "A vida é como o sol; todos os dias morre, mas renasce todos os dias pra mostrar que você é vivo como um milagre que todo dia renasce."