Era uma noite turva, iluminada não pela lua ou estrelas por causa das nuvens vermelhas, mas pelas luzes das ruas amareladas, algumas ofuscantes, frágeis e limitadas de si mesmas.
Enquanto eu andava sozinho pelo deserto sem lua embaixo dessas florescentes iluminando meu caminho, pensava o que me havia de dizer por esperto. E não via nada além das lembranças do passado me acompanhando enquanto eu andava pelas avenidas solitárias. Foi então que resolvi cantar uma música daquelas que cantávamos juntos quando olhávamos as estrelas e eu tentava buscar a ela cada pontinho de luz que enfeitava o céu negro infinito e sombrio.
Quando avistei sua casa, pensei em voltar, em desistir e só simplesmente fugir. Mas não era o sensato para se fazer, além de ser covarde. Ela na merecia. Na verdade não merecia a mim; talvez essa fosse uma boa desculpa. “não merecia a mim”. Ia dizer isso a ela.
Foi que bati em sua porta. Ela atendeu. Eu de cabeça baixa. A ouvia falar, mas não conseguia prestar atenção no que dizia. Percebi que queria chorar, mas em sua frente eu queria ser o melhor dos homens. Como ela me conhecia muito bem percebeu que tinha algo de errado. “precisamos conversar”, saiu de mim essa frase, só que pelo resto da noite seria a única coisa que iria ouvir de mim.
Deu a coragem súbita de olhar em seus olhos. Levantei e vi que estava chorando. Naquele momento o semblante de um home inatingível desabou junto com as lágrimas dela.
Segurei em suas mãos negras, pequenas e frágeis, porém firmes. Estavam trêmulas e choravam com todo o corpo. Eu queria me arrepender e falar apenas que a amo, que é tudo em minha vida. Mas era tudo mentira. Não sei o que sentia, se era dor, se era pena, se era angústia, sei que caiam águas sobre meu rosto de meus olhos. Ao mesmo tempo de sofrimento que queria que tudo isso acabasse logo, também queria que esse momento nunca mais chegasse a acontecer, era inevitável. Queria que não fosse dessa forma ou que fosse fácil, mas não era.
Foi quando me afastei das mãos dela. Tirei meus olhos do seu rosto e vi a parede. De repente senti seus dedos enxugando minhas lágrimas. “eu sei por que você está aqui”, consegui entender ela falando. “só me prometa que nunca mais vai voltar a bater aquela porta”. Mas eu nem se quer acenei com a cabeça. Levantei-me, abri a porta e a noite acabou.
dedico a quem gosta de ler... dessa vez foi à minha amiga Karen Maciel. Que tão genuina amiga e modesta como é, elogiosamente comenta o que escrevo.
Uma crônica com as características mais fluentes do que gosto de escrever: a natureza e a simbologia dos sentimentos ligada ao redor dos indivídos... espero que também gostem dela assim como eu e especialmente a Karen.... e meu muito obrigado.
dedico a quem gosta de ler... dessa vez foi à minha amiga Karen Maciel. Que tão genuina amiga e modesta como é, elogiosamente comenta o que escrevo.
Uma crônica com as características mais fluentes do que gosto de escrever: a natureza e a simbologia dos sentimentos ligada ao redor dos indivídos... espero que também gostem dela assim como eu e especialmente a Karen.... e meu muito obrigado.
Nooossa!!! É a combinação perfeita: Seus textos e meu gosto! Fã assumida!!
ResponderExcluirAMEI a dedicatória, ainda mais sendo de um texto como esse.. Totalmente envolvente!
Continue escrevendo! Transcrevendo emoção, sentimento com detalhes ricos e “reais” ..
Muitíssimo obrigada!!!!